MEU ROMANCE

MEU ROMANCE
O DIA QUE NGOLA DESCOBRIU PORTUGAL

ESCRITOR & PROFESSOR


quinta-feira, 12 de novembro de 2009


Agora, o motivo é Kenzo

Lembram-se do caso da Ana Carolina? Tinha tudo para ser uma adolescente de bem com a vida: bela, inteligente magra e elegante... No entanto, era muito gorda para trabalhar na China e muito magra para os mexicanos! Que desgraça... Sua amiga e colega de apartamento era bulímica, que é o sintoma inverso ao de Ana. As vítimas preferenciais da anorexia e bulimia são exatamente adolescentes de 15 a 17 anos, e, se tratadas, poucas conseguem retomar a vida normal porque, na maioria dos casos, a doença torna-se crônica e fatal. A anorexia é mais rara. A pessoa recusa-se a comer. Já nas bulímicas o sintoma é inverso: elas têm crises em que comem sem controle nenhum e, depois, provocam o vômito ou usam de laxantes e diuréticos para não ganharem peso. Na novela da Globo “Viver a Vida”, traz uma personagem chamada Renata, vivida por Bárbara Paz, jovem que sofre de drunkorexia, um transtorno cada vez mais comum, que é um misto de alcoolismo e anorexia. Nestes casos frequentemente se troca a comida pelo álcool. Não só a obsessão pela magreza faz com que algumas meninas se tornem drunkorexicas: muitas vezes o problema pode ser por questões emocionais mais complexas. Na trama de Manoel Carlos, Renata vive frustrada por sua carreira de atriz e modelo não dar certo e sempre se lamenta a base de vários goles. O autor já adiantou que quando a personagem for largada pelo namorado, Miguel (Mateus Solano), que não aprova suas atitudes, seu vício aumentará e ela vai se definhar. Na vida real, jovens sofrem do distúrbio e muitas vezes não sabem. Estrelas como Amy Winehouse, Lindsay Lohan e Britney Spears sofrem do transtorno e já apareceram publicamente em situações péssimas. Elas combinam álcool e drogas com pouca ou nenhuma comida e acabam internadas em clínicas de reabilitação. Algumas destas são doenças antiqüíssimas. Podem ser identificadas inclusive nos santos que jejuavam como forma de beatitude. Só que antes o motivo era Deus, agora é o Kenzo, Dior e outras griffes da moda.

Na nossa cultura ocidental, ser magro é o sinônimo de sucesso e de beleza e nos esquecemos que supervalorizar a magreza pode nos levar à morte e as adolescentes, em idade de crise, são a população de alto risco como nos temos apercebido.

Relacionado com essas doenças, estão as pílulas perigosas, que são inibidoras de apetite. E que há até bem pouco tempo era ou ainda é, a dieta dos sonhos de qualquer gordo. A fen-phen, como era conhecida, não sei se ainda existe em circulação; porque a clínica Mayo, nos EUA, divulgou já há alguns anos que esse tratamento envolve risco de vida. A combinação era para ser usada como tratamento em casos sérios de obesidade, em que a necessidade justificasse os riscos – mas acabou sendo usada até por quem desejava perder alguns quilos. O problema, observado em vários consumidores de fen-phen, é a formação de uma substância branca e gordurosa que impede o fechamento completo das válvulas que controlam o fluxo do sangue no coração. Mais de vinte milhões de americanos e outros milhares em outras partes do mundo consomem a combinação fen-phen, que tem no Brasil um coquetel similar denominado Femproporex. O estudo representa novo baque na indústria dos inibidores de apetite. Outra questão se relaciona com aquelas modelos que, contratadas e enviadas para o estrangeiro, passam fome por não terem condições para se manter. Os agentes dessas modelos deveriam ser responsabilizados, até judicialmente. A meu ver, o caso já é de polícia...

Muitas delas até são menores de idade. Deveria, penso, haver uns tantos censores da propaganda televisiva contra aqueles que fizessem apologia à magreza e aos inibidores de apetite. É do nosso inteiro conhecimento que o discurso publicitário vise sempre apelar à sensibilidade, mobilizar o desejo, induzir o potencial consumidor a optar por um determinado produto, mesmo que seja fatal e os seus argumentos são muitas vezes de natureza emocional, apela-se ao sentimento e a motivações de natureza inconsciente. Ser diferente, num mundo de semelhanças, é para muitos desses senhores publicitários – apologistas da magreza – uma definição e uma realização de uma estratégia, que torne únicos seus produtos mortíferos e serviços.

O cerne da questão é: pode o sujeito distanciar-se do mundo que observa desde criança e o seu conceito de beleza? Não sei...

João Portelinha in Jornal o Estado

Agora, o motivo é Kenzo

Lembram-se do caso da Ana Carolina? Tinha tudo para ser uma adolescente de bem com a vida: bela, inteligente magra e elegante... No entanto, era muito gorda para trabalhar na China e muito magra para os mexicanos! Que desgraça... Sua amiga e colega de apartamento era bulímica, que é o sintoma inverso ao de Ana. As vítimas preferenciais da anorexia e bulimia são exatamente adolescentes de 15 a 17 anos, e, se tratadas, poucas conseguem retomar a vida normal porque, na maioria dos casos, a doença torna-se crônica e fatal. A anorexia é mais rara. A pessoa recusa-se a comer. Já nas bulímicas o sintoma é inverso: elas têm crises em que comem sem controle nenhum e, depois, provocam o vômito ou usam de laxantes e diuréticos para não ganharem peso. Na novela da Globo “Viver a Vida”, traz uma personagem chamada Renata, vivida por Bárbara Paz, jovem que sofre de drunkorexia, um transtorno cada vez mais comum, que é um misto de alcoolismo e anorexia. Nestes casos frequentemente se troca a comida pelo álcool. Não só a obsessão pela magreza faz com que algumas meninas se tornem drunkorexicas: muitas vezes o problema pode ser por questões emocionais mais complexas. Na trama de Manoel Carlos, Renata vive frustrada por sua carreira de atriz e modelo não dar certo e sempre se lamenta a base de vários goles. O autor já adiantou que quando a personagem for largada pelo namorado, Miguel (Mateus Solano), que não aprova suas atitudes, seu vício aumentará e ela vai se definhar. Na vida real, jovens sofrem do distúrbio e muitas vezes não sabem. Estrelas como Amy Winehouse, Lindsay Lohan e Britney Spears sofrem do transtorno e já apareceram publicamente em situações péssimas. Elas combinam álcool e drogas com pouca ou nenhuma comida e acabam internadas em clínicas de reabilitação. Algumas destas são doenças antiqüíssimas. Podem ser identificadas inclusive nos santos que jejuavam como forma de beatitude. Só que antes o motivo era Deus, agora é o Kenzo, Dior e outras griffes da moda.

Na nossa cultura ocidental, ser magro é o sinônimo de sucesso e de beleza e nos esquecemos que supervalorizar a magreza pode nos levar à morte e as adolescentes, em idade de crise, são a população de alto risco como nos temos apercebido.

Relacionado com essas doenças, estão as pílulas perigosas, que são inibidoras de apetite. E que há até bem pouco tempo era ou ainda é, a dieta dos sonhos de qualquer gordo. A fen-phen, como era conhecida, não sei se ainda existe em circulação; porque a clínica Mayo, nos EUA, divulgou já há alguns anos que esse tratamento envolve risco de vida. A combinação era para ser usada como tratamento em casos sérios de obesidade, em que a necessidade justificasse os riscos – mas acabou sendo usada até por quem desejava perder alguns quilos. O problema, observado em vários consumidores de fen-phen, é a formação de uma substância branca e gordurosa que impede o fechamento completo das válvulas que controlam o fluxo do sangue no coração. Mais de vinte milhões de americanos e outros milhares em outras partes do mundo consomem a combinação fen-phen, que tem no Brasil um coquetel similar denominado Femproporex. O estudo representa novo baque na indústria dos inibidores de apetite. Outra questão se relaciona com aquelas modelos que, contratadas e enviadas para o estrangeiro, passam fome por não terem condições para se manter. Os agentes dessas modelos deveriam ser responsabilizados, até judicialmente. A meu ver, o caso já é de polícia...

Muitas delas até são menores de idade. Deveria, penso, haver uns tantos censores da propaganda televisiva contra aqueles que fizessem apologia à magreza e aos inibidores de apetite. É do nosso inteiro conhecimento que o discurso publicitário vise sempre apelar à sensibilidade, mobilizar o desejo, induzir o potencial consumidor a optar por um determinado produto, mesmo que seja fatal e os seus argumentos são muitas vezes de natureza emocional, apela-se ao sentimento e a motivações de natureza inconsciente. Ser diferente, num mundo de semelhanças, é para muitos desses senhores publicitários – apologistas da magreza – uma definição e uma realização de uma estratégia, que torne únicos seus produtos mortíferos e serviços.

O cerne da questão é: pode o sujeito distanciar-se do mundo que observa desde criança e o seu conceito de beleza? Não sei...

domingo, 25 de outubro de 2009

Motivações que agem nos recônditos do poder


A questão da motivação dos políticos é crucial neste debate. Tem-se argumentado comumente, (por ex: na escolha da vida pública) que o interesse deles é pessoal porque “buscam o poder” nas eleições ou de outra maneira. Buscar o poder político é realmente a definição de um político. Mas qual a razão dos políticos buscarem o poder? O poder não é algo que se possa comer ou qualquer coisa do gênero. É o meio para fazer coisas, como diz a minha filha Loara de dez anos. Então, o seu valor obviamente deveria depender do que você pode ter por ele. Se o objetivo final se consubstanciasse apenas na obtenção da riqueza ou consumo, então as habilidades e a energia dos políticos seriam usadas mais proveitosamente nos negócios privados – pelo menos em alguns regimes... Ora, políticos em busca do poder têm a seguinte e interessante lógica, no meu ponto de vista: como o poder político capacita-nos a fazer coisas públicas buscam o poder para buscar o poder, e assim por diante. Assim, como hão de convir comigo, não existe nenhum resultado final para eles. Portanto, na visão geral da economia, essa atividade seria simplesmente inútil e eles não deveriam buscá-lo nem gastar energia nisso, se fossem homens “racionais”... Mas eles realmente se dedicam a essa atividade, geralmente com muito vigor, dedicação, energia e tempo. Uma explicação possível seria de que eles gostam justamente do processus em si, como um jogo ou atividade “final”. Mas esse gosto pelo processo é classicamente denominado “irracional” nessa visão do homem. E é difícil e desconcertante fazer com que a explicação do sistema se baseie inteiramente na conduta irracional. Outra alternativa é que os políticos estão na política para honrarem “a tradição política da família” e coisas do gênero... Para Mills, a elite do poder é de fato um “grupo de status” no sentido Weberiano do que uma “classe” no sentido marxista. Assim, estar no poder ou buscar permanentemente o poder deriva da detenção de certos “papéis” estratégicos. Na sociedade moderna, o poder está institucionalizado. Entre as instituições, pelo menos três possuem uma posição axial: A instituição política, econômica e a militar (mais relevante nos países pouco democráticos). Por isso mesmo, os que estão colocados à frente dessas hierarquias institucionais se sucedem, sendo familiares ou não, ocupando os postos de comando estratégico da estrutura social. Em resumo, na sociedade, as “decisões-chave” (key decision) são tomadas um escol que é composto pelos dirigentes dessas instituições que cada vez mais se encontram concentradas e, entre elas, existe uma solidariedade inquebrantável, cada vez maior e intercambiáveis. Tais hierarquias institucionais penetram-se, compenetram-se, e entre as mesmas a circulação faz-se fácil e frequentemente. Porque à frente delas estão dirigentes cujas origens de consangüinidade, de classe, status, formação e interesse são idênticos. Muito deles, da mesma família se sucedem por séculos no poder. Uma vez “mais progressistas” que os seus progenitores e outras vezes mais retrógrados mesmo. No entanto, as similitudes sociais, as afinidades psicológicas, as coincidências de interesses e objetivos que os unem são mais fortes, às vezes, que qualquer laço de parentesco. Outra descrição ou alternativa menos severa é que os políticos buscam o poder porque ele os capacita implementar a sua concepção do que é bom e justo para a sociedade, servir o povo ou ao país. Talvez educando as pessoas no processo, ou simplesmente implantando o que eles querem. Contudo, essa conduta politicamente ética, infelizmente nem todos os políticos possuem. Na realidade, a resposta para a questão do que os políticos buscam é ao mesmo tempo óbvia e irredutível a uma asserção simplista. Não haja dúvidas de que eles querem trabalho, posição, fama, influência, o exercício do poder, o ideal, a serem úteis e serem reconhecidos como tal, atividade, o desafio, a auto-imagem, a riqueza (mais difícil agora com a Lei da Responsabilidade Fiscal), os benefícios adicionais, etc. Isso os tornaria diferentes do resto da humanidade? Creio que não. As relações desses elementos entre si e com outras conseqüências conjuntas, causas conjuntas ou causa e efeito, e, com igual conseqüência, competem entre possibilidades. Portanto, separar as várias motivações e confrontrá-las muitas vezes não é um exercício relevante. Contudo, as razões pelos quais as pessoas se dedicam à política constituem uma auto-seleção que pode oferecer aos políticos uma mistura um tanto particular de motivações. Entre elas, as que conduzem a implementação dos seus projetos, ideais, bem como, as de cunho familiar ou simplesmente a busca de celebridade Há toda uma necessidade imperiosa de se fazer uma análise sobre este assunto numa dimensão humana em todas suas vertentes.

In "Palmensis Mirabilis" de João Portelinha

A FUNÇÃO DA COMUNICAÇÃO POLÍTICA

A comunicação política é o processo de transmissão pelo qual a informação política circula de um lado para outro do sistema político, e entre este e o sistema social. É um processo contínuo de troca de informações entre indivíduos e os grupos em todos os níveis. É, especialmente, uma troca de informações entre governantes e governados, de forma assegurar o seu acordo. Com efeito, todo e qualquer governante procura fazer aceitar as suas decisões e cada governado tenta formular e fazer tomar em consideração as suas necessidades. O acordo entre os dois termos não pode realizar-se a não ser pela comunicação, isto é, pela troca.

A comunicação política assegura a adequação entre os governantes e os governados por troca permanente de informações... Os governantes devem ser o eco das aspirações, das reclamações e das exigências dos governados; estes devem aceitar as decisões coercivas tomadas pelos governantes. Esta aproximação efetua-se por troca de mensagens dos governantes para os governados, mas também dos governados para os governantes.

A comunicação corresponde, portanto, a uma exigência fundamental do sistema político. “pode escrever-se que a comunicação política está para o sistema político como a circulação sanguínea” para o corpo humano, diz o cientista político Milbrath.

Quais são os suportes da comunicação? Por que meios a informação é difundida, veiculada? É possível distinguir, sobretudo três meios de comunicação. A comunicação pelos mass media. Quer se trate dos media impressos (imprensa, livro, cartaz, etc.) quer dos media eletrônicos (rádio televisão, Internet etc.). A comunicação pelas organizações também é importante. Como os partidos políticos que servem de ligação entre governantes e governados e os grupos de pressão. Assim, todos governantes elaboram uma decisão a partir do enxergam. Por conseqüência, a única maneira de influir numa decisão é atuando sobre as percepções daqueles que as tomam. A comunicação será, portanto, a única maneira de mudar ou de influir numa percepção. A comunicação por contatos informais é bastante importante nestes casos... Este modo de comunicação por relações “face a face” é essencial nas sociedades tradicionais. Mas mantém importância nas sociedades desenvolvidas, apesar do desenvolvimento dos mass media. Os mass media não atingem o púbico como um bloco indiferenciado, A massa na qual se cria a opinião comporta-se como se estivesse estruturada. Os seus efeitos fazem-se sentir por intermédio de certas pessoas que desempenham neste processo o papel de incentivadores e de ligação: os “opinion leaders” (os formadores de opinião ou os comandantes de opinião, como se diz nos EUA). Cada um deles influência os membros do “grupo primário” (família, grupo de trabalho, etc.) ao qual pertence.

Cada sistema político desenvolve a sua própria rede de comunicação política. Em função, por exemplo, das suas possibilidades e do seu desenvolvimento econômico. Porque há estreita relação entre o nível de desenvolvimento econômico e o nível de desenvolvimento dos mass media. Há, ao mesmo tempo, uma relação mais geral entre a comunicação e o desenvolvimento político. Isso porque as estruturas de comunicação social desenvolvem-se paralelamente aos sistemas políticos. Por outro lado, o grau de autonomia das estruturas de comunicação permite distinguir os sistemas liberais dos sistemas autoritários, procurando estes últimos controlar estreitamente a comunicação política para moldar a opinião pública. É por isso que a sociedade brasileira está muito atenta quando se discute qualquer coisa que se relacione com o controle dos meios de comunicação.

In "palmensis Mirabilis" de João Portelinha

AUTORIDADE OU LIBERDADE?

Assisti nestes últimos dias quase todas as palestras sobre educação ministradas por ilustres e diversos especialistas em educação. Apercebi-me, também, pelas questões apresentadas na ocasião pelos pais e professores que a preocupação maior seria se os organismos que se propõem cuidar da educação dos nossos filhos deveriam ter mais autoridade ou não. De fato, muitas vezes hesitamos, assumimos posições contraditórias e oscilamos de um comportamento para o outro. Na realidade, os pais sentem cada vez mais sua autoridade contestada, já não sabem se a devem abandonar ou acentuá-la. Apercebem-se da inadequação das modalidades anteriores da sua presença, mas não descortinam que modalidades novas as devem substituir. Em suma, pensam dever escolher entre a autoridade e a liberdade. Por conseguinte, para clarificar o “problema do melhor comportamento”, há que elucidar estes dois conceitos.

Aquilo a que se chama atitude autoritária é fácil de definir. É a que atua por coação, independentemente das suas modalidades, as quais variam em função dos países, épocas e, sobretudo, costumes de grupo, dos meios socioeconômicos e profissionais, da personalidade e da psicologia dos pais. Será, pois, mais ou menos regressiva, consoante os casos, e recorrerá a diversos tipos de sanções. Mas implica sempre que o pai exerça a sua “soberania” e não se preocupe com a adesão dos filhos às suas estipulações.

Aquilo que se designa por atitude liberal é igualmente simples de definir. É a que evita a imposição e busca a adesão. Mas pode exercer-se de formas muito variadas: entre a simples busca de uma atitude benevolente, que se esforça por evitar as sanções, e o extremo de uma posição libertária, há uma infinidade de graus e variantes. A própria “autodisciplina” envolve uma multiplicidade de modalidades possíveis. Se o principio é claro, as realizações resultam demasiado diversas para que a utilização imprecisa da expressão permita saber sob a que comportamento concreto corresponde.

Há que se acrescentar que a situação recíproca destas duas tendências é muito paradoxal. Com efeito, a atitude autoritária foi e continua sendo constantemente criticada. De Rabelais e Montaigne até à psicologia contemporânea, as suas insuficiências e perigos foram demonstrados com clareza. No entanto, apesar dessa argumentação, não foi adotada ou degenerou num abandono no qual alguns autores vêm a fontes de muitos males da nossa sociedade e tentam então reabilitar uma atitude autoritária. Ora, em todos esses debates, o problema é colocado em termos de escolha. Opõe-se uma educação pela liberdade e uma educação pela autoridade, como se uma e outra se excluíssem. Assiste-se a uma oscilação que leva, consoante os casos, a preferir uma à outra, e verifica-se o malogro de ambas. A meu ver, existe aí um erro de método, tanto do ponto de vista teórico com prático. Na verdade, na educação não se deve escolher entre liberdade e autoridade, mas sim entre tipos de autoridade e tipos de liberdade. Assim, a autoridade pode ser tirana, representando fraqueza, modo que certas formas de liberalismo. Estas duas formas de fraqueza encontram-se, por vezes, em momentos diferentes, no mesmo educador. Ao invés, existe uma forma de autoridade que emana do prestígio e, nessa medida, é suficientemente forte para reconhecer zonas de liberdade às crianças e adolescentes. Analogicamente, a liberdade pode ser concedida a estas. De forma gradual e deliberada, com fins lucidamente educativos. Pode também ser uma forma de abandono, de desinteresse a seu respeito, apresentar-se como solução de facilidade e provir então da negligência. Há, pois, diversas formas de autoridade e liberdade que se devem distinguir e analisar. Contentarmo-nos em opor os dois termos é superficial e enganador. É por isso que muitos debates educativos se mantêm verbais e insignificantes. Opõem-se conceitos que não têm a mesma significação para todos os interlocutores: há, portanto, que ultrapassar essa oposição. De resto, ninguém vive impunemente as delícias dos extremos, como eu costumo a dizer...

In “palmensis Mirabilis” de João Portelinha

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

domingo, 11 de outubro de 2009

A nossa representação política

É extremamente difícil fazer-se uma tipologia dos Partidos. No entanto a meu ver são possíveis duas noções de partidos: uma geral e universal, e, em certo sentido, material, considera o partido como a “qualificação de um movimento de idéias centralizado no problema político e cuja originalidade outra é suficientemente percebida pelos indivíduos, para que estes aceitem ver nele uma realidade objetiva independente dos comportamentos sociais”; outra noção, de caráter mais formal, prende-se à natureza do liame que reúne os indivíduos no partido e à delimitação de seus objetivos imediatos. Na verdade, extrema variedade de partidos torna bastante difícil a formulação de um conceito de validade universal, devendo-se concluir em face de cada caso concreto, e tendo em conta o respectivo sistema jurídico, se se trata ou não de um partido político. Quanto à natureza jurídica dos partidos, poucos autores sustentam que eles sejam pessoas jurídicas de direito privado. Inúmeros autores atribuíram aos partidos a natureza de entes auxiliares do Estado, ao afirmarem que são “entidades sociais tendentes a transformarem-se em entidades”. Na realidade os partidos são instituições dotadas de personalidade jurídica e situadas no âmbito do direito público interno. Apesar disso, entretanto, ao renovar a legislação sobre os partidos, o legislador brasileiro optou pela expressa qualificação dos partidos políticos como pessoas jurídicas do direito privado (Lei 9.096, de 19 de setembro de 1995, artigo 1). Quanto à organização interna os partidos, eles podem ser considerados: partido de quadros e partido de massas. Os partidos de quadros estão mais preocupados com a qualidade dos seus membros do que com a quantidade deles, não buscam reunir maior número de integrantes, preferindo atrair as figuras de notáveis, representativos das elites sociais. Esses notáveis são desejados, seja pelo seu prestigio, que lhes confere influencia sobre os eleitores, seja pela sua fortuna, que contribui para cobrir as despesas das campanhas eleitorais. Mais do que a quantidade de filiados, importa a sua qualidade. Os partidos de massas buscam o maior número possível de adeptos, sem qualquer espécie de discriminação, procuram servir de instrumento para que os indivíduos de condição econômica inferior possam aspirar às posições de governo. Para, além disso, os partidos se distinguem pelas suas opções políticas e ideológicas. Interessante é que em alguns casos independentemente das suas ideologias e sua vocação, por necessidade ou vantagens, agrupam-se em opiniões convergentes, criando-se uma força grupal capaz de superar obstáculos político- ideológicos e de conquistar o poder político. Foi o que aconteceu dia 08 de outubro com a eleição para governador do estado. Como se verificou, no momento de votar foram sempre os interesses que determinaram o comportamento do eleitorado (deputados), ficando em plano secundário a identificação do partido com determinadas idéias políticas. A par disso, os partidos são acusados pela sociedade de se terem convertido em meros instrumentos para a conquista do poder, uma vez que atuação dos deputados, neste caso, não condiz com idéias enunciadas nos programas dos seus partidos pelos quais foram eleitos pelo povo. No entanto, eu vejo vantagens... É sempre mais fácil governar sem oposição e nos demonstra a capacidade de articulação do novo governador! Gostaria de alertar aqui para um fato político importante. Muita gente pensa que as alianças que foram feitas agora que permitiram este “governo de coalizão” é uma estratégia para as eleições de 2010! É um grande erro pensar-se assim. Em 2010 há outros interesses; alguns partidos representados no governo estadual vão ter o seu próprio candidato a governador e também dependerá das alianças feitas em Brasília para as eleições presidências que certamente vão se refletir aqui e noutros estados.

sábado, 3 de outubro de 2009

A imagem é de um livro alemão de educação infantil

A EDUCAÇÂO SEXUAL DOS NOSSOS ADOLESCENTES

É sabido que as deficiências educativas dos nossos adolescentes são inúmeras e talvez o desfazamento entre a informação e a educação tenha hoje tendência para se acentuar. Ora, entre uma e outra existem grandes diferenças. A primeira exerce-se no plano intelectual, elucida sobre a estrutura anatomo-fisiológica da espécie humana e dirige-se, como que anonimamente, à inteligência. A segunda, ao invés, exercer-se no plano afetivo e moral e dirige-se à personalidade e consciência na sua intimidade.

É certo que a primeira é frequentemente negligenciada - muitos adolescentes, de ambos os sexos, acolhem com apreensão a sua própria puberdade. No entanto, nos nossos dias, muitos fatores concorrem para a informação: a liberação dos costumes, o espetáculo da rua, a preocupação de alguns pais e a Escola, contribuem muitas para isso, direta ou indiretamente. E esta difusão crescente da informação representa um progresso indiscutível. Mas isso não basta. Há também necessidade de uma educação que integre a informação na personalidade do individuo e lhe permita assimilá-la. Quanto maior e mais precoce for a informação, mais exige uma educação. Ora, é permitido pensar que muitos desconhecem a distinção dos dois domínios. Todavia, para que a educação sexual seja possível, impõe-se duas condições: em primeiro lugar, é necessário que exista entre o educador e o educando um entendimento suficientemente simples e confiante para que se possa estabelecer um diálogo que incida em questões reais; há igualmente necessidade da existência de um acordo, pelo menos virtual, entre eles sobre valores morais. A família, que seria o local ideal para essa educação, não a pode assumir se as citadas condições não forem satisfeitas. É por essa razão que a instituição escolar pública está mais bem situada para a informação do que para educação, devido a um estatuto que deveria proibir o corpo docente de impor uma moral qualquer ou rejeitar outra. Mas, hoje em dia, a precariedade de todo o acordo, o esboroamento das idéias em todos os domínios e, sobretudo, a incerteza de cada um perante convicções dantes bem arraigadas e solidamente reafirmadas são de tal ordem, que se tornou cada vez mais difícil satisfazer essas condições de assegurar semelhante tarefa, o adolescente se encontra só e sem possibilidade de diálogo, a não ser com companheiros aos quais se deparam com os mesmos problemas. A puberdade precoce também se reveste de incidências gerais sobre a personalidade no seu conjunto, na medida em que provoca uma maturação psicológica mais rápida. É só ficarmos atentos à propaganda televisiva que se esta fazendo sobre um lançamento de um livro sobre sexo, numa hora imprópria, que diz: faça sexo gostoso... É bom para todas as idades... O meu filho de cinco anos já me perguntou se também podia fazer sexo! Pai, é para todas as idades... Não ouviu na televisão? Essa maturação psicológica mais rápida que me referia, faz haver atritos com os adultos, porquanto o adolescente é levado a reivindicar rapidamente formas de autonomia que outrora, só mais tarde eram desejadas ou reclamadas.

Compreende-se, pois, o espanto das gerações anteriores que têm a recordação de só haver sentido ou manifestado muito mais tarde os comportamentos, atitudes e sentimentos que hoje detectam nos indivíduos cuja idade civil levaria a considerar ainda crianças. Esta surpresa, que se transforma em confusão, surge com nitidez na vida familiar, onde o assombro por notar tão cedo as características da adolescência e os sintomas da sua crise. Também se manifesta no meio escolar. Quando a puberdade surgia mais tarde e a escolarização era mais breve, os alunos eram essencial e quase exclusivamente crianças. Hoje elas cresceram mais depressa e contribuem para aumentar a massa de adolescentes e o volume de reivindicações, nomeadamente em matéria de orientação e de formação profissionais, de tempos livres e, de um modo geral, de integração na sociedade. Houve quem afirmasse que se situava aí uma das causas da delinquência. De qualquer modo, concebe-se bem o sentimento de revolta que provoca a impressão de ser tratado, mais segundo a sua idade civil do que em conformidade com a idade biológica, por educadores que não discerniram as modificações. Importam, pois, que estes últimos saibam adaptar-se à situação, cujos aspetos novos não descortinam suficientemente.

Há, entre a criança e o adulto, diferenças sólidas, “A criança” dizia Rousseau, “tem maneiras de ver, pensar e sentir que lhe são próprias, e não há nada tão insensato como pretender substituí-las pelas nossas”.

In “Palmensis Mirabilis” de João Portelinha

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Representantes das academias de Letras são recebidos no Palácio Araguaia

O governador Marcelo Miranda recebeu na tarde desta quinta-feira, 6, os presidentes das ATL - Academias Tocantinense de Letras, Eduardo Almeida, e da APL - Academia Palmense de Letras, João Portelinha, acompanhado do presidente da Fundação Cultural de Palmas, Pierre de Freitas, intermediador da audiência.

A reunião teve como objetivo solicitar o apoio do governo do Estado para a construção da sede da ATL e da APL. O presidente da Fundação disse que o terreno está sendo disponibilizado por parte do município e que o governo do Estado se mostrou sensível à causa dos escritores. Segundo Pierre, há muito tempo as associações se empenham para a construção da sede própria. “O governador foi muito receptível e sensível à causa dos escritores e demonstrou disposição em viabilizar a construção da sede,” disse.

O presidente da ATL, Eduardo Almeida, comentou que a proposta das associações em construir as sedes já está atingindo o objetivo, uma vez que o terreno já foi disponibilizado pela prefeitura, através da Fundação Cultural, faltando apenas a formalização. “A sede vai ser construída no Parque Cesamar, vamos unir literatura e arte à paisagem ecológica do parque”, disse Almeida.

O professor da UFT - Universidade Federal do Tocantins e presidente da APL, João Portelinha, disse que a comitiva saiu muito confiante da audiência. “Já esperávamos que a reunião seria positiva. O governador é uma pessoa que gosta muito de cultura, gosta muito da literatura”, disse o presidente.

Fonte: Secom

domingo, 27 de setembro de 2009

A FORMIGA E A CIGARRA

Era uma vez uma formiga e uma cigarra que eram muito amigas... Durante todo o outono a formiga trabalhou sem parar, armazenado comida para o inverno. Não aproveitou o sol, a brisa suave do fim da tarde, nem de uma conversa com os amigos a tomar uma cervejinha depois do dia de trabalho. Enquanto isso, a cigarra só andava cantando com os amigos nos bares da cidade, não desperdiçou nem um minuto sequer com o trabalho, cantou durante todo o outono, dançou, aproveitou o sol, desfrutou muito sem se preocupar com o mau tempo que estava para vir. Passados uns dias começou o frio, a formiguinha, exausta de tanto trabalhar meteu-se na sua pobre guarida cheia de comida até ao teto. Mas, alguém a chamou da rua e quando abriu a porta teve uma grande surpresa quando viu sua amiga cigarra num Ferrari e com um valioso casaco de peles.

A cigarra disse-lhe:

- Olá amiga! Vou passar o inverno em Paris. Podes cuidar da minha casinha?

A formiga respondeu:

- Claro! Sem problemas. Mas o que aconteceu? Onde conseguistes o dinheiro para ir a Paris, como comprastes esta Ferrari, e este casaco tão bonito e caro?

E a cigarra respondeu:

-Imagina lá, que eu estava cantando num bar a semana passada, como de costume, e um produtor gostou da minha voz... Assinei um contrato milionário para fazer shows em Paris! A propósito, precisas de alguma coisa de lá?

- Sim, - disse a formiga.

Se te encontrares com LA FONTAINE (autor da fábula original) manda-o à merda, da minha parte!

Tem-se presente que as relações de trabalho e o próprio trabalho em si, por um lado, humanizam a natureza, geram riquezas e socializam as pessoas; por outro lado, contudo, em muitos casos, também as degradam e fazem sofrer. Esse paradoxo é revelado de forma mais clara quando se apercebe que o trabalho libera e oprime, ou seja, que é desejado para satisfazer necessidades básicas e de consumo, mas que nem sempre aquele que trabalha mais vive melhor e tem seus sonhos de consumo concretizados! Aquela coisa de que o trabalho dignifica o homem e o enriquece nos faz “formiguinhas”. Geralmente as “cigarras” da nossa sociedade sempre se saem melhor que as “formiguinhas” da vida!

Assim, sabe-se que o (trabalhador) brasileiro fica - por força de relações de trabalho - privado de incontáveis momentos do seu tempo e/ou, às vezes – mesmo como dono do seu tempo – lhe faltam condições para dele usufruir, apesar de seu reconhecimento constitucional. Essa questão é fundamental, haja vista que tanto o trabalhador como o ser humano em geral têm necessidades vitais não apenas materiais, mas também imateriais, e a criação, o sonho, a alegria, o prazer, a felicidade – considerados componentes do tempo livre como lazer – são essenciais para a vida digna. Ressalta-se que a proteção a esse tempo livre conhecido como lazer está inscrita, no Brasil, na Constituição Federal de 1988, no Capítulo II do Título II, que trata dos direitos sociais. Assim, o artigo 6º menciona que são direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a providencia social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados. A palavra trabalho vem do latim tripalium, instrumento de tortura - instrumento constituído de três paus ou estacas com pontas de ferro utilizado pelos agricultores para baterem o trigo, as espigas de milho... Trabalho significou por muito tempo - ainda conota – algo como padecimento e cativeiro. Moral da história: Aproveita a vida, trabalha, diverte-te em proporção, porque trabalhar demasiado, sem lazer e às vezes sem o devido reconhecimento só traz benefícios nas fábulas de LA FONTAINE!

In "Palmensis Mirabilis" de João Portelinha

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O BRASIL PODIA SER O PRIMEIRO...

Sempre que se comemora o Dia Internacional da Mulher, cabe sempre lembrar a luta das mulheres e no nosso caso até de muitos homens na conquista do direito ao voto feminino. Ao contrário dos outros países, o movimento pelo voto feminino no Brasil partiu de um homem, o constituinte, baiano, médico e intelectual Cezar Zama, que na sessão de 30 de setembro de 1890. Durante os trabalhos de elaboração da primeira Constituição Republicana, defendeu o sufrágio universal, a fim de que as mulheres pudessem participar efetivamente da vida política do país. No ano seguinte outro constituinte, Almeida Nogueira defendeu a participação das mulheres como eleitoras, e lembrou, na sessão de 2 de janeiro de 1891, que não havia legislação que restringisse seus direitos e mesmo o projeto da Nova Constituição também não cerceava esse exercício cívico. No mesmo raciocínio Lopes Trovão, ao discutir a Declaração de Deveres, usou a palavra para defender com afinco essa causa, que para ele era com uma reparação que vinha tardiamente. Suas palavras foram contestadas com apartes veementes dos adversários da idéia, mas a cada frase, ele contestava com idêntico vigor. Em 1891, 31 constituintes assinaram uma emenda ao projeto de constituição de autoria de Saldanha Marinho, conferindo voto à mulher brasileira. A pressão, porém, foi tão grande que Epitácio Pessoa (posteriormente Presidente da República, entre 1919-1922), que havia subscrito a emenda, dez dias depois, retirou seu apoio. Entre aqueles que foram signatários da emenda constitucional, estavam Nilo Peçanha, Érico Coelho, Índio do Brasil, César Zama, Lamourier Godofredo e Fonseca Hermes. Na sessão de 27 de janeiro de 1891, o deputado Pedro Américo, Rui Barbosa e o Barão do Rio Branco se manifestaram em defesa da igualdade política dos sexos. Em 1894, foi promulgada a “Constituição Política” da cidade de Santos. Entre as normas legais estava o artigo 42, que concedia a “capacidade política aos maiores de 21 anos e as mulheres sui júris, quem exercecia profissão honesta, sabendo ler e escrever e residindo no município há mais de um ano o direito do voto”. Não concordando com esse diploma legal, um grupo de cidadão entrou com recurso no Congresso Legislativo em São Paulo solicitando a anulação do artigo nº 42. O relator acatou a solicitação, mas o deputado Eugênio Égas foi mais “prático”: apresentou um projeto de resolução com apenas dois artigos: o primeiro declarava nula a “Constituição Santista” e o segundo artigo revogava as disposições ao contrário... Em Minas Gerais, em 1905, três mulheres se alistaram e votaram, mas foi um caso isolado. Em 1917, o deputado Maurício de Lacerda, apresentou a emenda nº 47, de 12 de março daquele ano, que alterava a lei eleitoral de 1916, e incluía o alistamento das mulheres maiores de 21 anos. Essa emenda foi rejeitada pela comissão de justiça, cujo relator Afrânio de Mello Franco a julgou inconstitucional por ter um grupo de mulheres presentes que era contra o voto feminino e nessa ocasião afirmou: “as mulheres brasileiras, em sua grande maioria, recusariam o exercício do direito de voto político, se este lhe fosse concedido”. Seu autor não desistiria da idéia e em 29 de outubro de 1920, na legislatura seguinte, novamente apresentava uma emenda, que recebe o nº 8. Desta vez iria a votação no plenário da Câmara Federal, sendo mais uma vez rejeitada. No ano seguinte um projeto de lei seria apresentado, de autoria de três deputados, Octávio Rocha B. da Silva Filho e Nogueira Penido, e receberia parecer favorável do relator deputado Juvenal Lamartine de Faria, e mais uma vez não lograria êxito a iniciativa. Em 1 de dezembro de 1924, é apresentado pelo deputado Basílio de Magalhães o projeto de lei nº 247, que pleiteava a concessão do voto à mulher brasileira. No Senado coube ao representante do Pará, Justo Leite Chermont, em 1919, a iniciativa pela concessão do voto feminino, quando apresentou o projeto de lei nº 102, que seria aprovado em primeira discussão em 1921. Em finais de 1927, o Presidente Washington Luís em conversa no Palácio do Catete, manifestou-se a favor do voto às mulheres. O Senador Thomaz Rodrigues, que em 10 de setembro de 1925 quando relator do projeto apresentado pelo Senador Chermont que havia falecido em 1926, assim se pronunciou: “apesar de entendermos que é cedo, muito cedo, para conceder um direito tão amplo à mulher brasileira, em sua grande maioria ainda o não reclama...” Mas a segundo votação necessária à aprovação não se realiza. Com o advento da revolução de 30, o Presidente Getúlio Vargas através do Decreto nº 21.076 de 24 de fevereiro de 1932, é instituído o Código Eleitoral Brasileiro, e o artigo 2 disciplinou que era eleitor o cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo. Assim podemos dizer que a conquista do voto feminino foi fruto da coragem, tenacidade e sacrifício de homens brasileiros. E que o Brasil deixou de ser o primeiro país do mundo a conceder o direito do voto à mulher a favor da Nova Zelândia que em 1893 teria a primazia dessa concessão às suas mulheres. Neste dia, que vivam os homens brasileiros que lutaram pelos direitos das mulheres!!!

In Palmensis Mirabilis de João Portelinha

domingo, 20 de setembro de 2009












DAS BELEZAS IDÍLICAS À CATÁSTROFE

Quando se percorre as maravilhosas cidades de Santa Catarina, temos a impressão de que alguma fada amiga e benfazeja distribuiu, a granel, pelos montes e pelos vales desse encantador Estado, como acontece com a região do vale de Itajaí, o melhor e mais bucólico das Écoglas, o mais romântico e, também, poético dos idílicos de Teócrito... Santa Catarina foi sempre charmosa. Tem a Cidade das Flores, Joinville, que ganhou esse apelido por causa dos seus belos e imensos jardins. A Festa das Flores, em novembro, que leva centenas de visitantes à cidade. O Festival de Dança, outro grande evento cultural, considerado o maior da América Latina em abrangência de gêneros e número de participantes. Terras que pertenciam à nobreza e que faziam parte do dote de Dona Francisca, filha de Dom Pedro I, e foram vendidas por seu marido, o Príncipe de Joinville, à companhia de Colonização Hamburguesa. Os primeiros imigrantes, alemães, suíços e noruegueses, chegaram em 1851. Já lá habitavam açorianos e madeirenses. E, quando se percorre Florianópolis, que fica a 180 quilômetros de Joinville, Blumenau... Embalados por um céu esplêndido e pelo colorido da explosão da primavera? Aí, obviamente, lembraríamo-nos do mais poético labor das Geórgicas de Virgilio e, sem nenhum receio, diríamos: o Éden bíblico deve ter existido em toda Santa Catarina, como existiram as ilhas eleusinas dos felizes e bem aventurados semi-deuses da mitologia grega! Mas assim como a história de Antígona que é uma história de humildade, de dor e sacrifício, os catarinenses viram, pouco e pouco, suas casas, as árvores, os vales, os campos, os vales a desaparecerem na sombra esvanecente dos olhos... A noite que era um esplendor, agora quando chega apenas se vislumbra pequenos pontos luminosos das casas que sobraram e por mais frágil que eles sejam – são as únicas coisas que nada perdem do seu valor em face da imensa tragédia – Talvez, representam a única esperança em dias vindouros. Numa situação feliz, rejubilamo-nos sempre com toda nossa força, acalentamos uma confiança impensada e nada conhecemos para além do nosso presente. No entanto, quando atingidos pela dor, pela fraqueza, pela impotência como aconteceu em Santa Catarina, desesperamo-nos... E se conseguirmos vencer essas situações drásticas e continuarmos vivos, certamente aprendemos muito com experiências vividas e certamente passaremos a ver que não temos o domínio total da natureza como almejamos ou pensamos; porque o próprio domínio da natureza é aleatório. Que ela, a natureza, constantemente ameaçada, quase sempre ‘vinga-se’ e, que a comunidade humana é a única garantia da existência que encontramos. Em situações-limite, o homem congrega-se numa espécie de bloco para restringir a interminável luta contra infortúnios que o acometem, às vezes, até com intenção de aboli-las, mas, nesse caso particular, os esforços para dominar a natureza são infrutíferos e aí soçobram, para além das belas miragens de épocas tranqüilas em que os limites estavam velados, o solo firme que nos suporta – a terra natal, os pais, os filhos, a esposa, os esposos, irmãos e os amigos... E quando o solo que era firme desaba aos nossos pés, morrem os familiares e amigos, como aconteceu? Nessas situações mais cruciantes, as pessoas mesmo anteriormente isoladas, sempre convivem e contam umas com os outras, para obterem segurança por via da solidariedade recíproca, até na própria impotência... Vimos, também, com a mobilização nacional de ajuda aos catarinenses, que solidariedade é a primeira riqueza dos catarinenses, é a qualidade cardeal de todos brasileiros e, que daqui, brota e se mantém todo o seu profundo humanismo. Viva o povo brasileiro!

In Palmensis Mirabilis de João Portelinha

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Palestra ministrada por mim em Porto

SIMPÓSIO SOBRE ESTUDOS AFRO-BRASILEIROS

Escrito por Josélia de Lima 17-Ago-2006

O Núcleo de Estudos Afro-brasileiros do Tocantins Campus de Porto Nacional realiza o Simpósio da ‘História da África, da Cultura Negra e do Negro no Brasil’, nos dias 23 e 24, em Porto Nacional e nos dias 25 e 26, no Auditório do Sesc, em Palmas. O evento é destinado a professores de História, Literatura e Artes e áreas afins, e tem a finalidade de promover debates sobre o tema, que passou a ser disciplina obrigatória nas no Ensino Médio. As inscrições serão feitas no local e vão participar professores especialistas da Universidade de Brasília, da Universidade Estadual de Santa Catarina, representantes do Movimento de Remanescentes de Quilombos, dos Movimentos Negros e das associações culturais e religiosas. Além das discussões sobre a disciplina, destacam-se as apresentações do professor Doutor João Portelinha, da UFT, que abordará ‘Aspectos da Reconstrução de Angola’, na quarta, às 19 horas e da Mãe Beata de Yemanjá, que falará sobre o aspecto da religião dos Orixás, na sexta-feira, 25. Serão discutidos temas como: a história da Arte, o negro no Brasil, arte e cultura afro-brasileira. O simpósio contará com a presença de representantes das comunidades quilombolas de Barra de Aroeira (Santa Tereza do Tocantins), Mumbuca (Mateiros) e Kalungas do Tocantins. Será exibido o filme ‘O soldado negro, Barra de Aroeira, comunidade remanescente da Guerra do Paraguai’ e haverá depoimentos de personagens negros sobre a cultura afro-brasileira.

As inscrições custam R$ 20,00 e serão feitas no local. O evento está sendo realizado com a parceria da Universidade Federal do Tocantins, da Secretaria de Ensino Superior e Secretaria de Ensino Continuado, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação e Cultura, da Secretaria da Educação e Cultura do Tocantins e da Secretaria de Educação de Palmas.

Boaventura Cardoso outorgado título de membro honorário da Academia Palmense de Letras

Malanje - O escritor angolano, Boaventura da Silva Cardoso, que se encontra desde o dia 30 de Agosto em Palmas, capital do estado Brasileiro de Tocantins, foi terça feira outorgado com o título de membro honorário da Academia Palmense de Letras.

O titulo surge por ocasião do lançamento neste Estado das suas duas recentes obras literárias intituladas “A alegórica mãe materno mar angolana” e “Boaventura Cardoso- um reinventor de palavras e tradições”, durante a sua Homenagem de terça feira naquele Estado.

De acordo com uma nota de imprensa chegada hoje à Angop, o também governador da província de Malanje, Boaventura Cardoso, fará no dia cinco deste mês, no auditório do consulado geral de Angola no rio de Janeiro, o lançamento de um romance intitulado “Mãe materno mar”, de sua autoria, cuja obra foi editada pela editora Terceira Margem no estado de São Paulo, República do Brasil.

Desde a sua estadia dias no Brasil, o escritor dissertou também uma palestra sob o tema “A literatura angolana e o seu processo de escrita literária”.

Boaventura Cardoso é autor de livros de contos e romances, tendo sido em 2001, galardoado com o prémio nacional de cultura e artes, disciplina literária pelo seu romance “Mãe materno mar”.

Fonte: Angop

COMO MEMBRO DA ASSOCIAÇÃO DOS ESCRITORES DO DF

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FÁBIO JOSÉ DANTAS DE MELO
FÁTIMA SILVA
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FILEMON FELIX DE MORAES
FLÁVIA DE LAURO ANGELINI
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FLORA BENITEZ
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FRANCISCO ALCIVAN VIANA
FRANCISCO ALVIM
FRANCISCO ANTÔNIO DE SOUSA PORTO.
FRANCISCO BRITO DE ASSUNÇÃO
FRANCISCO DAS CHAGAS RIBEIRO DA SILVA
FRANCISCO DE AQUINO
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FRANCISCO DE ASSIS SILVA
FRANCISCO EYDEIR MARANHÃO PORFILHO
FRANCISCO GOMES DE FIGUEIREDO
FRANCISCO GUSTAVO DE CASTRO DOURADO
FRANCISCO MOROJÓ
FRANCISCO PEREIRA DE SOUZA
FRANCISCO SIMOES DE OLIVEIRA NETO
FRANCISCO WELLINGTON LÚCIO E NEVES
FRANÇOIS RICHARD DE GOES
FREDERICO OZANAN DRUMMOND
GERALDO ALMEIDA
GERALDO EUSTÁQUIO PEREIRA
GILMAR CHAVES
GILSON CARDOSO DOS SANTOS
GILSON REBELLO
GIOVANA MAGDA FLÁVIO
GLADSON DA ROCHA
GLÓRIA ROSELLE VON GREVENITZ ( em memoria)
GRACIA MARIA BALDONI CANTANHEDE
GUIDO HELENO
GUILHERME FAGUNDES DE OLIVEIRA
GUILHERME FELIPE DA SILVA
GUSTAVO MARIANI
HAMILTON PEREIRA DA SILVA
HEITOR HUMBERTO DE ANDRADE
HELENA FRAGA LIMA.
HELENA MARIA RIBEIRO
HÉLIO SOARES PEREIRA
HERAL LAGE
HERBERT LAGO CASTELO BRANCO
HERMENEGILDO BASTOS
HERMES AQUINO TEIXEIRA
HILDA MENDONÇA DA SILVA
HUBERT CHROCKATT DE SÁ
HUGO MUND JÚNIOR

ILDEBRANDO DAVID DE SOUZA
ILDEFONSO PEREIRA DE SOUZA
INÁCIO LOIOLA
IRACY REIS DE ARAÚJO
IRMANA ALMEIDA
IRONE QUEIROZ
ISAIAS ALVES PASSOS
ISMAEL J. CÉSAR
ITA CATTA PRETA (em memória)
ITAMAR DE SOUZA
IVAN GODOY
IVAN MONTEIRO DOS SANTOS
IVAN ZANONI HAUSEN J. SIMÕES
JAIME SAUTCHUK
JAIR VITÓRIA
JASON TÉRCIO
JAYME DO NASCIMENTO TEIXEIRA
JEOSADARK DUNGA DA SILVA
JÉSUS ACÁCIO DE OLIVEIRA
JESUS DUARTE FILHO
JÔ OLIVEIRA
J. W. BAUTISTA VIDAL
JOANYR DE OLIVEIRA
JOÃO ALEXANDRE LOMBARDO
JOÃO ARAÚJO NETO
JOÃO BATISTA ARAÚJO COSTA
JOÃO BATISTA CARDOSO
JOÃO BATISTA MACHADO VIEIRA
JOÃO CARLOS MAUGER
JOÃO CARLOS TAVEIRA
JOÃO EUSTÁQUIO MALHEIROS
JOÃO FERNANDES DA CONCEIÇÃO (em memória)
JOÃO FERNANDES DA SILVA NETO
JOÃO FERREIRA
JOÃO FERREIRA DE VASCONCELOS
JOÃO HENRIQUE SERRA AZUL
JOÃO JESUS PAES LOUREIRO
JOÃO JUSTINIANO DA FONSECA
JOÃO MARCOS DE CAMILLIS GIL
JOÃO MARIA MADEIRA BASTO
JOÃO PAULO SAUWEN BARBOSA
JOAO ROCHAEL MEIRA ALCÂNTARA
JOÃO RODRIGUES PORTELINHA DA SILVA
JOÃO VIANEY
JOAQUIM FRANCISCO DE MATTOS (em memória)
JOAQUIM VIRGÍLIO MENDES BARBOSA
JOCELINO LEAL
JOENILDO FERREIRA DIAS
JOHANNE RUTTHE DE S. VERSIANE
JOILSON DE PORTOCALVO
JORGE AMÂNCIO
JORGE ANTUNES
JORGE CAUHY
JORGE CIMAS
JORGE DAS GRAÇAS VELOSO
JORGE KALUME
JORGE MARINO DE CARVALHO
JORGE NUNES
JOSÉ ABRÃO MARTINS BOGEA

JOSÉ ADIRSON DE VASCONCELOS JÚNIOR
JOSÉ ALUÍZIO CASSIANO BARBOSA
JOSÉ AMÉRICO MOREIRA DA SILVA
JOSÉ ANTONIO PRATES
JOSÉ APARECIDO DE OLIVEIRA
JOSÉ AUGUSTO CAMPETTI NIETO
JOSÉ CARLOS BRANDI ALEIXO
JOSÉ CARLOS GENTILI
JOSÉ DO COUTO CORRÊA
JOSÉ DONIZETE GONÇALVES
JOSÉ EDSON DOS SANTOS
JOSÉ ELTON SCARTAZZINI
JOSÉ ERIVELTO MOURA DE SOUSA
JOSÉ ELIAS DE PAULA
JOSÉ FERNANDO MARQUES FREITAS FILHO
JOSÉ GARCIA CAIANNO (DEDÉ)
JOSÉ GERALDO NERES
JOSÉ GODOY GARCIA (Em memória))
JOSÉ HELDER DE SOUZA
JOSÉ LUCIMAR ALVES DE LIMA (ZUNGA)
JOSÉ LUIS DO NASCIMENTO SÓTER
JOSÉ LUIZ DE MOURA PEREIRA
JOSÉ LUIZ MUNIZ GOMES
JOSÉ MESSIAS ROZENDO
JOSÉ NAZARENO
JOSÉ OSCAR DE AZEVEDO ALVARENGA
JOSÉ PORFIRIO DE CARVALHO
JOSÉ ROBERTO B. MARIANO
JOSÉ ROSSINI CAMPOS CORRÊA
JOSÉ STIVAL
JOSÉ TEIXEIRA PACHECO
JOSÉ VALENTIM MARTINS MELO
JOSÉ WALDIR MERÇON
JOSÉLIA COSTANDRADE
JOSENILDO FERREIRA DIAS
JOSIAS DO NASCIMENTO
JOSIMA Ma ALBUQUERQUE LOPES GODOY
JOSIRA SAMPAIO
JOSSONHIR MOREIRA BRITO
JOVAN MILHOMEM SANTOS
JUCILEIDE GADELHA DE OLIVEIRA
JÚLIO BARBIERI JÚNIOR
JÚLIO CÉSAR DOS REIS ALMEIDA
JÚLIO CÉSAR MEIRELES GOMES

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Educação

A força do negro no palco do Theatro Municipal de Palmas

20/11/2007 - João Lino Cavalcante - 5 Leitura(s)

O som do atabaque ecoou forte no Theatro Municipal Fernanda Montenegro, no Espaço Cultural, em Palmas, na noite desta segunda-feira,19. Ao ritmo do instrumento africano, foi oficialmente aberto o II Fórum Estadual de Educação e Cultura Afro-Brasileira, que está inserido na programação da Semana da Consciência Negra. A Mãe de Santo Magda de Oxum abençoou o evento e lembrou da importância da valorização das religiões de matrizes africanas. 'Temos que nos referir às religiões africanas com muito respeito e orgulho. Somos todos irmãos, filhos de um mesmo Deus', conta a sacerdotisa. As apresentações culturais ficaram por conta do grupo de capoeira e dança da Escola Municipal Aurélio Buarque.

A noite ainda contou com a palestra 'Identidade Negra na Educação Brasileira', proferida pelo pós-doutor em Sociologia Jurídica, o angolano João Portelinha, que falou da importância da discussão do tema. 'Quem é de fato considerado negro? Não se pode considerar verdadeiramente o negro simplesmente pela tez da pele, mas pela questão cultural. Temos diversos casos de falha no sistema de cotas que existe aqui no Brasil, como o de dois irmãos, filhos do mesmo pai e da mesma mão onde um entrou na UnB pelo sistema de cotas e outro não, portanto, devemos rever o sistema de cotas vigente atualmente', conta o sociólogo.

O evento segue nesta terça-feira, 20, com sua programação do Centro de Ensino Médio de Palmas, durante todo o dia, com palestras e mesas redondas. O objetivo do fórum é acompanhar, propor, subsidiar, avaliar, discutir e divulgar a implementação da Lei de Diretrizes e Bases, alterada pela Lei 10.639/03 que propõe o debate da temática étnico-racial nas escolas e nas diversas áreas da vida.

Para Maximiano Bezerra, técnico da Secretaria da Educação e Cultura e um dos um dos organizadores do evento, a temática da 'africanidade' é fundamental para o conhecimento da cultura brasileira. 'Somos um povo de raça 75% africana e, no entanto, temos toda formação escolar baseada na história européia. Temos que inserir não só a discussão sobre este tema, mas também aprofundarmos e inserirmos a história da África no currículo regular das escolas públicas. A Seduc apóia esta iniciativa e estamos trabalhando para o reconhecimento do valor da cultura africana', conta Maximiano.

O evento é aberto ao público e voltado a professores e alunos da Educação Básica da rede pública e privada do Tocantins. Os interessados devem ligar para o telefone 3218-1437/1449/5128/6730. O valor da inscrição é de um livro por pessoa.

Pavilhão Literário Cultural Singrando Horizontes: Luis Kandjimbo (Breve História da Ficção Narrativa Angolana nos últimos 50 anos)

Pavilhão Literário Cultural Singrando Horizontes: Luis Kandjimbo (Breve História da Ficção Narrativa Angolana nos últimos 50 anos)

Cultura Afro-brasileira é tema de palestras no CEM Santa Rita

10/10/2007 - Milena Botelho - 5 Leitura(s)

História da África, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra e suas contribuições nas áreas social, econômica e política estarão em discussão durante um ciclo de palestras denominada 'Africanidades', ação do Projeto Brasil-Afro, do CEM - Centro de Ensino Médio Santa Rita de Cássia, localizado no Jardim Aureny I, em Palmas.

A partir desta quarta-feira, 10, às 8h, a unidade de ensino inicia a programação com a palestra 'África pré-colonial', do professor especialista Élson Santos Silva, dirigido aos professores, alunos da unidade escolar e a comunidade local.

Ampliar o conhecimento sobre a história da áfrica e valorizar a cultura afro-brasileira é o objeto da realização do projeto, ressalta a diretora do Santa Rita, Maria Aparecida Leal. 'Queremos reforçar a consciência dos nossos educandos na direção de um comportamento ético, plural, em relação à diversidade racial brasileira', lembra a gestora.

Até o final deste mês, a escola programou mais cinco palestras, com professores especialistas na área de história.

Programação

Dia 10 - 8h - Palestra "África pré-colonial"

Palestrante: Prof. Especialista Élson Santos Silva

Local: CEM Santa Rita de Cássia.

Dia 17 - 19h - Palestra "Aspectos da África colonial e contemporânea"

Palestrante: Prof. Dr. João Rodrigues Portelinha da Silva (UFT)

Local: CEM Santa Rita de Cássia.

Dia 18 - 19h - Palestra "Religiões afro-brasileiras"

Palestrante: Profª Dotouranda Mirian Tesseroli (UFT)

Local: CEM Santa Rita de Cássia.

Dia 20 - 8h - Seminário "África Pré-histórica"

Palestrante: Prof. Msc. Marco Aurélio Zimmerman (UFT/UNITINS)

Local: NUTA - Núcleo de Arqueologia do Tocantins.

A FUNÇÃO DA COMUNICAÇÃO POLÍTICA

A comunicação política é o processo de transmissão pelo qual a informação política circula de um lado para outro do sistema político, e entre este e o sistema social. É um processo contínuo de troca de informações entre indivíduos e os grupos em todos os níveis. É, especialmente, uma troca de informações entre governantes e governados, de forma assegurar o seu acordo. Com efeito, todo e qualquer governante procura fazer aceitar as suas decisões e cada governado tenta formular e fazer tomar em consideração as suas necessidades. O acordo entre os dois termos não pode realizar-se a não ser pela comunicação, isto é, pela troca.

A comunicação política assegura a adequação entre os governantes e os governados por troca permanente de informações... Os governantes devem ser o eco das aspirações, das reclamações e das exigências dos governados; estes devem aceitar as decisões coercivas tomadas pelos governantes. Esta aproximação efetua-se por troca de mensagens dos governantes para os governados e vice-versa.

A comunicação corresponde, portanto, a uma exigência fundamental do sistema político. “pode escrever-se que a comunicação política está para o sistema político como a circulação sanguínea” para o corpo humano, diz o cientista político Milbrath.

Quais são os suportes da comunicação? Por que meios a informação é difundida, veiculada? É possível distinguir, sobretudo três meios de comunicação. A comunicação pelos mass media. Quer se trate dos media impressos (imprensa, livro, cartaz, etc.) quer dos media eletrônicos (rádio televisão, Internet etc.). A comunicação pelas organizações também é importante. Como os partidos políticos que servem de ligação entre governantes e governados e os grupos de pressão. Assim, todos governantes elaboram uma decisão a partir do enxergam. Por conseqüência, a única maneira de influir numa decisão é atuando sobre as percepções daqueles que as tomam. A comunicação será, portanto, a única maneira de mudar ou de influir numa percepção. A comunicação por contatos informais é bastante importante nestes casos. Este modo de comunicação por relações “face a face” é essencial nas sociedades tradicionais. Mas Mantém importância nas sociedades desenvolvidas, apesar do desenvolvimento dos mass media. Os mass media não atingem o público como um bloco indiferenciado, A massa na qual se cria a opinião comporta-se como se estivesse estruturada. Os efeitos dos media fazem-se sentir por intermédio de certas pessoas que desempenham neste processo o papel de incentivadores e de ligação: os “opinion leaders” (os formadores de opinião ou os comandantes de opinião, como se diz nos EUA). Cada um deles influência os membros do “grupo primário” (família, grupo de trabalho, etc.) ao qual pertence.

Cada sistema político desenvolve a sua própria rede de comunicação política. Em função, por exemplo, das suas possibilidades e do seu desenvolvimento econômico. Porque há estreita relação entre o nível de desenvolvimento econômico e o nível de desenvolvimento dos mass media. Há, ao mesmo tempo, uma relação mais geral entre a comunicação e o desenvolvimento político. Isso porque as estruturas de comunicação social desenvolvem-se paralelamente aos sistemas políticos. Por outro lado, o grau de autonomia das estruturas de comunicação permite distinguir os sistemas liberais dos sistemas autoritários, procurando estes últimos controlar estreitamente a comunicação política para moldar a opinião pública.

In Palmensis Mirabilis

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Angola nas suas diversas facetas:rios,cataratas...

OS GRUPOS DE PRESSÂO E OS PARTIDOS

A expressão é originária da ciência política americana: pressure groups. O que na realidade distingue os partidos políticos dos grupos de pressão é que os primeiros têm por objetivo o exercício do poder. Os segundos limitam-se a influenciá-los, procurando exercer pressão sobre eles e mantendo-se exteriores aos partidos.

Os grupos são numerosos e diversos: sindicatos, movimentos, organizações patronais, movimentos de antigos combatentes, clubes e sociedades de pensamento, organizações e camponeses, os sem-terra, os sem-teto, agrupamentos de operários, religiosos, movimentos de juventude, agrupamentos de latifundiários, associações familiares, associações de pais e filhos, etc.

Um grupo de pressão pode definir-se como uma organização constituída para defender interesses, exercendo pressão sobre os poderes públicos a fim de deles obter decisões que satisfação seus interesses. Portanto, requer a reunião de três requisitos: a existência de um grupo organizado, a defesa de interesses, e o exercício de pressão. Em certos casos, a comunidade de interesses provoca manifestações esporádicas e efêmeras. Noutros, é ressentida tão vivamente que provoca a constituição de uma verdadeira e duradoura organização, que toma a seu cargo especialmente o interesse comum. Assim se instituem relações coletivas estáveis, senão permanentes, em vez de ações espontâneas e fugazes. Este critério organizacional é muito importante porque permite distinguirmos os “grupos organizados” e as ações “não organizadas”.

Os cientistas políticos distinguem quatro tipos de grupos de interesses, segundo o grau de especialização e de organização: - os grupos de interesses anômicos (anomic): formações espontâneas e efêmeras, muitas vezes violentas (ex.: manifestações, motins). Os grupos de associações não associativos (non associational): agrupamentos informais, intermitentes e não voluntários (na base do parentesco, de religião, etc.), caracterizados pela ausência de continuidade e organização; Os grupos de interesses institucionais (institucional): organizações formais (partidos, assembléias, administrações, exércitos, igrejas), exercendo outras funções para além da articulação de interesses, mas podendo efetuá-la, no todo ou em parte (facção de oficiais com aconteceu com os capitães em Portugal em 25 de abril de 1974). Por último, os grupos de interesses associativos (associational): organizações voluntárias e especializadas na articulação de interesses: sindicatos, agrupamentos de homens de negócios industriais ou de intelectuais, associações étnicas ou religiosas, agrupamentos cívicos. Estes últimos possuem o grau de organização e de especialização que caracteriza os grupos de pressão.

Os autores americanos falam preferentemente em “grupos de interesses” (interest groups) do que em “grupos de pressão” (pressure groups). Isso significa, implicitamente, que a atividade de pressão sobre o poder é inelutável. Assim, um grupo de interesse só se torna “grupo de interesse político” ou “grupo de pressão” se tenta influenciar as decisões dos poderes públicos, Senão (caso do sindicato patronal limitando disciplinar a profissão, regulamentando a atividade dos seus membros), permanece simples grupo de interesses.

No fundo, estudar os grupos de pressão é analisar os grupos de interesses na sua dinâmica externa, e especialmente na sua atividade política. Um grupo de pressão é um grupo de interesses em extraversão. Um grupo de pressão é um grupo de interesse que exerce uma pressão! Como podemos verificar, os grupos de pressão constituem uma categoria particularmente vasta e heterogênea. No âmbito desta categoria, numerosos tipos podem ser distinguidos. Não há hoje nenhuma profissão que não tenha o seu próprio órgão de defesa e representação. Apesar da sua forte tradição de individualismo, até os membros das profissões liberais (médicos, advogados, etc.) compreenderam a eficácia da ação coletiva. Mas a influência dos grupos de pressão no Brasil é especialmente forte em três grandes setores profissionais: na agricultura (latifundiários e os sem-terra) religião, no patronato e no trabalho.

In "Palmensis Mirabilis" de João Portelinha